A melhoria dos abrigos e a redução do tempo de espera na
fila de adoção para pais e crianças também fazem parte da política do
governo.
Na carta, Dilma louva o slogan "Unir para Cuidar"
e parabeniza os organizadores do encontro. “Debater e criar ações de estímulo à
adoção nos permitirá dar novos passos na garantia dos direitos de milhares de
crianças e adolescentes brasileiros que vivem nas instituições de acolhimento
em todo o país." Segundo o ministro, o principal entrave a ser vencido é o
tempo de espera e a solução para resolver esse problema é um parceria entre os
Três Poderes. “O Executivo e o Judiciário, sempre com o apoio do Legislativo,
podem ajudar a resolver essa questão e acelerar esse processo.
O que é feito hoje em
três anos, quatro anos, pode perfeitamente ser realizado em um ano, sem que se
rompam os procedimentos necessários, porque a adoção é cercada de
cuidados." O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos
Ayres Britto, que também participou do evento, prometeu se empenhar para
reduzir o tempo e a burocracia nos processos de adoção. “Em nome do Judiciário
brasileiro, compreendendo de modo especial o STF e o Conselho Nacional de
Justiça, essas duas instituições que são casas de fazer destino, me coloco à
disposição para colaborar e contribuir para facilitar os processos judiciais de
adoção. A adoção é um direito que tem a criança de permanecer a um grupo
familiar”, disse.
O professor Leonardo Boff partilha da opinião de Carvalho e
de Britto e defende mecanismos mais ágeis para facilitar às crianças o acesso a
uma família. “Às vezes demoram quatro anos ou cinco anos para que se crie a
condição de adoção, as crianças já estão grandes e as pessoas desistem. A
esperança é que a Justiça se mobilize para tornar o mais rápido possível a
realização de um direito, que é ter uma família." Em palestra para mais de
600 pessoas que assistiram a abertura do evento, Leonardo Boff disse que a
adoção não é um mero ato jurídico, tem que “nascer do amor, do profundo
sentimento do cuidado”. Teólogo, Boff citou que o primeiro exemplo de adoção
foi o de São José, que adotou “o filho de Deus”.
Apesar da demora do
atual sistema de adoção, o ministro e pai adotivo Gilberto Carvalho, diz que a
espera vale a pena. “ Nossa vida mudou, é uma nova energia que chega a sua
casa, te rejuvenesce, te dá essa alegria de ser chamado de pai de novo. Tenho
três filhos naturais, é uma coisa maravilhosa”. O encontro aberto hoje para
discutir a adoção vai até sábado (9) e será encerrado pela ministra da
Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário.